AGROPECUÁRIA AGORA - 263

 Ano IX  - 18/06            

AGRONEGÓCIO PROJETA PIB DE R$ 341,71 BI EM 2002

   

Os indicadores econômicos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CNA/CEPEA-USP) demonstram que o PIB do agronegócio global da agropecuária brasileira do primeiro trimestre de 2002 apresenta crescimento acumulado no ano de 0,90%, tendo registrado a taxa positiva de 0,31% em março. Tal crescimento se deve tanto ao agronegócio da agricultura, que apresenta taxa positiva de 0,34% em março e de 0,96% no acumulado do ano, como ao agronegócio da pecuária, que acusa variação positiva de 0,23% em março e 0,75% no acumulado de 2002. Com estes dados, a projeção é de um PIB de R$ 341,71 bilhões do agronegócio em 2002, contra R$ 338,67 bilhões do ano passado.

Quanto ao desempenho dos demais segmentos da agropecuária, verifica-se:

Aumento acumulado de 3,18% no ano para o PIB da agricultura, com taxa positiva de 1,09% em março, atingindo o valor estimado de R$ 51,80 bilhões. No primeiro trimestre de 2001, o PIB primário da agricultura apresentou taxa negativa de 0,45%.

O PIB da pecuária apresentou crescimento de 0,18% em março, registrando o valor acumulado do PIB básico, até março, de 0,51%. No primeiro trimestre, o PIB da pecuária já apresenta taxa positiva, passando de R$ 44,71 bilhões, em 2001, para R$ 44,94 bilhões, em 2002.

O PIB primário da agropecuária apresentou crescimento de 0,68%, em março, ficando o acumulado no ano em 1,98%. Se comparado ao resultado do primeiro trimestre de 2001, quando registrou taxa de 0,20%, pode ser considerado um desempenho expressivo. No total, o PIB da agropecuária apresenta um valor de R$ 96,79 bilhões em 2002.

Embora elevada, a taxa de crescimento do setor de insumos do agronegócio da agricultura foi significativamente inferior ao desempenho do PIB da lavoura, o que beneficia o segmento agrícola brasileiro. Em março, o crescimento deste segmento de insumos foi de 0,79% e, no ano, o acumulado registrou crescimento de 2,27%. O crescimento total do setor de insumos do agronegócio da pecuária, no ano, foi de 1,04%, duas vezes maior do que a taxa de 0,51% do PIB primário da pecuária. O setor de insumos para a agropecuária cresceu 0,66% em março e 1,80% no acumulado do ano.

O PIB do segmento industrial do agronegócio da agricultura vem apresentando taxas negativas de variação do PIB, nos primeiro trimestre. Em março, acusou variação negativa de 0,10% e, no acumulado do ano, atingiu o índice, também negativo, de 0,28%.

A indústria processadora de produtos animais registrou aumento de 0,13%, em março, e crescimento acumulado no ano de 0,77%. Apesar desse desempenho, o segmento industrial do agronegócio da agropecuária apresenta queda de 0,06%, em março, e de 0,11%, no acumulado do ano até março.

Os indicadores CNA/CEPEA-USP mostram uma evolução positiva da agropecuária no primeiro trimestre. Em 2002, as perspectivas são otimistas para os produtores brasileiros, embora os pecuaristas venham desembolsando mais recursos para a compra de insumos, o que representa menor rentabilidade para a atividade. Para os agricultores, os ganhos obtidos com as lavouras são mais significativos. A manutenção desse desempenho positivo, no entanto, estará condicionada a uma série de fatores, como o movimento das taxas de juros domésticas, a evolução da crise argentina e da economia mundial, além dos mecanismos de financiamento disponíveis.