AGROPECUÁRIA AGORA - 262

 Ano IX  - 11/06            

97% DOS PRODUTORES ESTÃO PREOCUPADOS COM O IMPACTO DOS SUBSÍDIOS AGRÍCOLAS NOS PREÇOS DOS SEUS PRODUTOS

   

A possibilidade de uma nova escalada protecionista na área agrícola, confirmada pelo aumento dos subsídios previstos na nova Lei Agrícola dos Estados Unidos, representa séria ameaça à agropecuária brasileira, com inevitáveis prejuízos às exportações de produtos primários. Os resultados de uma consulta do Projeto Conhecer, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a 1.884 produtores comerciais, com metodologia aprovada pela Vox Populi, demonstra que:

89% dos produtores rurais consultados acompanham de perto todos os lances do  embate entre os países desenvolvidos, que adotam políticas protecionistas à produção primária, e as ações do setor para enfrentar as distorções causadas no comércio mundial de produtos agropecuários;

97% dos produtores consultados consideram importante a questão do protecionismo internacional à produção primária devido ao impacto negativo sobre os preços do mercado externo, cuja cotação artificialmente rebaixada acaba reduzindo os preços de venda da sua produção;

88% dos produtores rurais brasileiros apoiam a ação da CNA, como sua legítima representante, na denúncia forma à Organização Mundial do Comércio (OMC) de práticas desleais de comércio, arcando com parte significativa dos custos financeiros de uma ação desse porte.

Nenhum setor do comércio mundial sofre mais distorções do que a agropecuária,  provocadas pelo que  se convencionou chamar de protecionismo agrícola, definido como um conjunto de práticas e políticas agrícolas que distorcem a competitividade e a eficiência produtiva. O protecionismo tem sido amplamente utilizado pelos países ricos como meio resguardar seus mercados internos da concorrência de outros países que produzem em condições mais eficientes e competitivas.

As formas mais clássicas e mais usadas de protecionismo podem ser resumidas em três áreas, conforme análise do Departamento de Comércio Exterior da CNA:

subsídios domésticos: por meio de preços mínimos de garantia elevados e desconectados do mercado mundial, os países ricos criam estímulo permanente aos produtores para aumentar a produção, inflando a oferta mundial e reduzindo os preços.

subsídios às exportações: os países ricos gastam US$ 7 bilhões por ano com subsídios às exportações, para desova do excesso de oferta interna no mercado internacional, provocado pelos estímulos domésticos à produção. A prática de exportar os excedentes domésticos da produção agrícola para os mercados mundiais a preços menores que o custo de produção – ou dumping – é um dos aspectos mais danosos das políticas agrícolas dos países ricos, pois desloca as exportações dos países que produzem em condições competitivas, que perdem participação no mercado mundial.

acesso a mercados: é comum a imposição por parte dos países desenvolvidos de elevados picos tarifários, as chamadas barreiras tarifárias, que restringem o acesso de produtos agropecuários e protege seus produtores da concorrência internacional. Há, ainda, as barreiras não-tarifárias, que dificultam o acesso aos mercados dos países ricos, incluindo as restrições quantitativas, e as barreiras sanitárias e fitossanitárias, que afetam principalmente o segmento de carnes e frutas tropicais.