AGROPECUÁRIA AGORA - 260

 Ano IX  - 21/05            

CNA QUER RENDA MÍNIMA PARA OS PRODUTORES DE CAFÉ

  

A Comissão Nacional de Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) está solicitando ao Governo a liberação de R$ 692 milhões, em caráter de urgência,  para financiar a colheita e a pré-comercialização da safra de café 2002/2003, que este ano foi estimada em 40 milhões de sacas. Estes recursos fariam parte de um programa de renda mínima para o produtor de café, envolvendo o financiamento da colheita, iniciada há duas semanas, da pré-comercialização, do armazenamento de seis milhões de sacas e a renegociação das dívidas do setor. Com o excedente de café armazenado nas cooperativas de produtores, haveria redução de oferta e pressão sobre o mercado para um aumento do preço internacional da commodity e agregação de renda à atividade.

Para cumprir todo este cronograma de ações, o setor prevê ainda a necessidade de complementação dos recursos, com a alocação de mais R$ 400 milhões até a liquidação dos vencimentos da pré-comercialização. A agilização na liberação dos recursos atende aos produtores e ao Governo, pois garantiria as exportações e a geração de US$ 1,2 bilhão em divisas. Para que isto aconteça, no entanto, será preciso eliminar algumas dificuldades impostas pelos bancos na hora da liberação dos financiamentos. Segundo levantamento da CNA, os agentes financeiros estão exigindo garantias dos produtores impossíveis de serem cumpridas. Estes empréstimos deveriam dar sustentação à colheita, podendo ser convertidos  também para a pré-comercialização.

Se houver entendimento com o Governo quanto aos recursos a serem liberados ao setor, cada produtor receberia um determinado valor, ainda a ser definido, pela saca armazenada de café. A expectativa é de que o mercado responda positivamente, chegando ao preço de R$ 140,00 a saca até o término da colheita, possibilitando a comercialização do produto retido por valores que remunerem a atividade. A expectativa da Comissão Nacional do Café é de que a liberação desses recursos, a curto prazo, ajudem a cafeicultura a sair da crise ocasionada pelos baixos preços internacionais e a falta de remuneração da atividade.    

Os atuais números da cafeicultura demonstram, claramente, o potencial de crescimento e geração de divisas da principal cultura de exportação da balança comercial brasileira, em contrapartida à baixa remuneração da atividade:

Mercado aberto para exportação de 23 milhões de sacas.

Potencial de geração de R$ 3,5 bilhões em divisas até 2004.

Aumento de produtividade e melhoria de qualidade superiores aos demais países.

O consumo interno de café entre 13 e 14 milhões de sacas.

Para a Comissão de Café da CNA, o Governo já reconheceu a descapitalização do setor quando ampliou os prazos para o pagamento das dívidas em:

12 anos para os financiamentos com recursos do Funcafé;

20 anos para os produtores que renegociaram seus débitos pelo PESA;

25 anos para aqueles produtores incluídos no programa de securitização.

O setor aguarda a confirmação da liberação dos recursos que financiarão o armazenamento de parte da safra de café, permitindo a recuperação de preços e a capacidade de investimento do setor. Esta medida é fundamental para garantir o emprego e as economias regionais, que sobrevivem da renda da cafeicultura, evitando a migração para as zonas urbanas e os saques que já ocorreram no sul de Minas Gerais.