AGROPECUÁRIA AGORA - 254

 Ano IX  - 01/04            

CNA VÊ PREJUÍZOS COM IMPORTAÇÃO DE CARNE ARGENTINA

 

  

O Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) se reúne, em caráter de emergência, nesta quinta-feira, em Brasília, para avaliar os prejuízos provocados pelo anúncio de importação de carne bovina da argentina pelos frigoríficos em plena safra brasileira do boi gordo, para forçar a baixa dos preços internos pagos pela arroba. Na semana passada, o presidente do Fórum, Antenor Nogueira, reclamou providências do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento contra a ação predatória dos frigoríficos. Segundo sua avaliação, “é inconcebível uma decisão como esta, que prejudica frontalmente a economia brasileira, demonstrando total falta de parceria na cadeia produtiva”.

As estimativas do setor para 2002 são de:

abate de 34,5 milhões de cabeças bovinas.

produção de carne de 7,15 milhões de toneladas em equivalente carcaça.

abastecimento do mercado interno com 6,3 milhões de toneladas, permitindo o consumo per capita de 35,8 quilos por habitante/ano.

exportações de 900 mil toneladas em equivalente carcaça, com receitas de US$ 1,1 bilhão. As exportações de carne bovina encontram-se em forte expansão para novos mercados, como o Chile, países do leste europeu e do oriente médio.

As indústrias frigoríficas vêm forçando baixa no preço da arroba do boi gordo nas principais praças pecuárias do País, entre elas Goiás, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Alegam a existência de um desaquecimento das vendas no mercado interno, além dos preços competitivos da carne argentina. Os frigoríficos anunciaram os desembarques das primeiras importações de carne argentina já a partir desta semana.

Para fazer frente à investida da indústria, o Fórum está tomando providências:

Convocar reunião de emergência com representantes dos principais Estados produtores de carne bovina, para avaliação de prejuízos e tomada de posição do setor frente ao rompimento da parceria entre os frigoríficos e os pecuaristas.

Encaminhar ao Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento as decisões tomadas pelo setor em reação às importações de carne argentina.

Alertar as autoridades brasileiras sobre os riscos sanitários que representam as importações de carne argentina para o rebanho brasileiro, que já se encontra livre da febre aftosa nas principais regiões produtoras.

Exigir o máximo rigor na liberação destas importações, para impedir a oferta de produto em condições inadequadas à população brasileira.

Avaliar se a carne que está sendo importada é proveniente de sistemas de produção que não usam promotores de crescimento (anabolizantes) no rebanho bovino. O uso de anabolizantes para engordar o rebanho é proibido no Brasil e não se pode ofertar à população brasileira carne importada produzida com o uso dessas substâncias.

Analisar a possibilidade de afastamento do Fórum do programa de promoção da carne bovina brasileira no exterior, promovido em conjunto com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes Industrializadas (ABIEC) e Agência de Promoção de Exportações (APEX), pelo rompimento dos compromissos de atuação em parceria.