Ano IX - 01/04
O
Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da Confederação da
Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) se reúne, em caráter de emergência,
nesta quinta-feira, em Brasília, para avaliar os prejuízos provocados pelo anúncio
de importação de carne bovina da argentina pelos frigoríficos em plena safra
brasileira do boi gordo, para forçar a baixa dos preços internos pagos pela
arroba. Na semana passada, o presidente do Fórum, Antenor Nogueira, reclamou
providências do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento contra a
ação predatória dos frigoríficos. Segundo sua avaliação, “é inconcebível
uma decisão como esta, que prejudica frontalmente a economia brasileira,
demonstrando total falta de parceria na cadeia produtiva”.
As
estimativas do setor para 2002 são de:
abate de 34,5 milhões de cabeças bovinas.
produção de carne de 7,15 milhões de toneladas em equivalente carcaça.
abastecimento do mercado interno com 6,3 milhões de toneladas, permitindo o
consumo per capita de 35,8 quilos por habitante/ano.
exportações de 900 mil toneladas em equivalente carcaça, com receitas de US$
1,1 bilhão. As exportações de carne bovina encontram-se em forte expansão
para novos mercados, como o Chile, países do leste europeu e do oriente médio.
As
indústrias frigoríficas vêm forçando baixa no preço da arroba do boi gordo
nas principais praças pecuárias do País, entre elas Goiás, São Paulo e Mato
Grosso do Sul. Alegam a existência de um desaquecimento das vendas no mercado
interno, além dos preços competitivos da carne argentina. Os frigoríficos
anunciaram os desembarques das primeiras importações de carne argentina já a
partir desta semana.
Para
fazer frente à investida da indústria, o Fórum está tomando providências:
Convocar reunião de emergência com representantes dos principais Estados
produtores de carne bovina, para avaliação de prejuízos e tomada de posição
do setor frente ao rompimento da parceria entre os frigoríficos e os
pecuaristas.
Encaminhar ao Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento as decisões
tomadas pelo setor em reação às importações de carne argentina.
Alertar as autoridades brasileiras sobre os riscos sanitários que representam
as importações de carne argentina para o rebanho brasileiro, que já se
encontra livre da febre aftosa nas principais regiões produtoras.
Exigir o máximo rigor na liberação destas importações, para impedir a
oferta de produto em condições inadequadas à população brasileira.
Avaliar se a carne que está sendo importada é proveniente de sistemas de produção
que não usam promotores de crescimento
(anabolizantes) no rebanho bovino. O uso de anabolizantes para engordar o
rebanho é proibido no Brasil e não se pode ofertar à população brasileira
carne importada produzida com o uso dessas substâncias.
Analisar a possibilidade de afastamento do Fórum do programa de promoção
da carne bovina brasileira no exterior, promovido em conjunto com a Associação
Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes Industrializadas (ABIEC) e Agência
de Promoção de Exportações (APEX), pelo rompimento dos compromissos de atuação
em parceria.