AGROPECUÁRIA AGORA - 253

 Ano IX  - 19/03            

CNA CRITICA COBRANÇA PELO USO DA ÁGUA NA AGROPECUÁRIA

 

  

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) não vê sentido na cobrança pelo uso da água na agropecuária, cuja captação é feita pelo próprio agricultor, especialmente em situações de abundância de recursos hídricos. A Comissão Nacional de Meio Ambiente da entidade considera que a cobrança somente se justifica no caso daqueles usuários que demandam serviços de captação e tratamento, assim daqueles que poluem os mananciais. Esta avaliação explica a posição assumida na recente votação do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), quando a entidade foi responsável pelo único voto discordante na decisão de cobrar pelo uso da água captada do rio Paraíba do Sul, inicialmente dos setores de saneamento e industrial.

Para a CNA, este é apenas o primeiro passo na direção de um projeto que vai onerar o uso de recursos hídricos por diversas atividades, em todo o Brasil, incluindo a agropecuária, independente de sua importância econômica, social e ambiental. Vale lembrar que a agricultura irrigada, por ser mais produtiva, reduz a pressão sobre as áreas naturais.

Diversas questões deverão ser resolvidas antes de se estabelecer a cobrança pelo uso da água, que é abundante no País, tais como:

  melhor definição dos critérios metodológicos, para estabelecer um valor justo para a cobrança pelo uso da água na agricultura.

  adotar um diferencial para o setor, já que o valor deve ser conseqüência dos impactos que a cobrança poderá causar na produção agropecuária.

  diagnosticar quais são os problemas de cada rio ou bacia e quem os causa.

  definir sistemas de monitoramento e de gerenciamento da qualidade dos mananciais.

  avaliar o custo destas operações, para depois estabelecer valores de cobrança.

             Segundo a área técnica da CNA, o CNRH aprovou uma  metodologia de cobrança pelo uso da água sem ter noção do quanto iria custar para cada um dos setores atingidos. Conseqüentemente, não há avaliação exata do impacto dessa decisão e dos valores que serão cobrados. De acordo com simulações desenvolvidas, a cobrança pelo uso da água representa: 

  de 5% a 17% do custos de produção do feijão.

  de 6% a 10% dos custos da cultura do tomate.

  12% do preço de comercialização do arroz irrigado, no Rio Grande do Sul.

Segundo a Comissão Nacional de Meio Ambiente da CNA, estes resultados revelam impactos inaceitáveis à agricultura irrigada, que deixará de ser competitiva, estimulando a importação de produtos alimentícios pelas grandes redes varejistas. Para enfrentar a questão, o setor deverá participar, efetivamente, dos comitês de bacias hidrográficas, responsáveis pelo encaminhamento de propostas ao CNRH, tanto de metodologia de cobrança, quanto de valores. Mas os atores econômicos, principalmente a agricultura, têm uma participação inferior a das ONGs nestes Comitês.

  a representação das ONGs é de 10% a 14%.

  o peso da representação do setor agropecuário não passa de 3%. 

  em São Paulo, órgãos estaduais e municipais têm peso representativo de 70%.

Tal composição torna ilegítimas as deliberações do Conselho, pois o setor não terá  força de representação para fazer valer suas ponderações sobre os impactos da cobrança na atividade agropecuária.